segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AI MEU DEUS DO CÉU, AI MINHA VIRGEM MARIA

Se você sente saudade de alguém que está distante;
Se você está amando uma pessoa que está longe demais prá pegar o carro e ir a seu encontro;
Se você está feliz a ponto de publicar sua felicidade;
Ou mesmo se você está com saudade ou vontade de alguém que nem sabe se vai voltar a ver um dia;
Se você está triste porque está distante;
Se vivendo a sua vida, você sente a falta de alguém,
Não chafurde na lama, não mergulhe na dor, não seja uma anta!
No lugar de se afundar, aproveite a saudade para se levantar e siga o que diz esse pôsti do esquisitão do Tio Moa: ligue esse som aí embaixo, malungo!
(ouça bem alto, se necessário com fone de ouvido, E acompanhe a letra)
Se vivendo a minha vida
Sinto a falta de alguém
A saudade me levanta
Sai dizendo para mim
Na tristeza dê um fim:
Tecnologia é tanta!
Microondas, avião
Cumpra a sua função
Calme um coração que sangra
Com uma prova de carinho
Ou pedaços de lembranças
A voz de alguém num instante
E se um raio interromper
Estrondoso e casual
Essas ligações distantes
Que o fogo de um vulcão
Cuspa uma explicação
Que esclareça lentamente
Que o mundo é tão variado
Tanta exclamação que às vezes
Não se nota que é constante
Que uma banalidade
Gere uma canção gigante
Entre numa rádio e cante:
Música serve pra isso.
Música serve pra isso.
Música serve pra isso.
Música serve pra isso.
Como podem constatar os queridos sobrinhos do Tio Moa, ainda não existia esse treco de internet quando, em 1990, Mauricio Pereira e André Abujamra gravaram um disco sensacional. Eles formavam, apenas os dois, a autodenominada terceira menor big band do mundo: “Os Mulheres Negras”
A primeira música é essa espanta saudade que você acabou de ouvir. Ela enche o peito de alegria com um som delicioso que embala e levanta até os mais submersos. Música serve prá isso! Aliás, é esse o nome do disco, que tem milhares de pérolas (deixem-me em paz com minha conhecida superlatividade), entre elas uma música que também fala sobre comunicação: um telefonema de alguém que estava pensando na pessoa do outro lado da linha.
Ela só diz o seguinte: só te telefonei prá te contar que se tua orelha tá pegando fogo, to eu pensando em você. Apesar de a música pedir que seu corpo se mexa (coloque em alto volume e deixe que ela te levante e faça pular), a forma como a frase é dividida dificulta o entendimento, como a mostrar que nem tudo é tão fácil quando a gente quer comunicar algo simples à pessoa amada. (no link do clipe o som está ruim, a imagem está horrível, mas saiba: é sonzeira!)


Tetele
Fon
Nei
Práticon
Tar que se
Tua ore
Lhatapegandofo
Go

Eu
Pen
Sando
Envo

Se...
O disco é inventivo, surpreendente, inteligente, e muito, mas muito alto astral mesmo. Só pode ser do bem um disco que tem “Só quero um xodó”, do Gil, e um blues rasgado, pesado,  que começa com o título do pôsti: “Ai meu deus do céu, ai minha virgem Maria”.  Não dá para esquecer da delicadíssima e bela Imbarueri, pérola que está no link abaixo (em ótima qualidade de imagem – gravado há pouco tempo num reencontro da “banda” no Paraná - no disco o som é muito mais bem trabalhado, obviamente).

Talvez apenas para dar um contraponto a toda a leveza e alegria, o disco termina com uma tragédia, o nada-a-dizer dos casais em “Common Incomunicablity”. Apesar de trágica, a composição é maravilhosa, tem melodia belíssima a Cole Porter (calma, Fábio!) cantada divinamente com o timbre incomum do Maurício Pereira.
I been observin' you for a long time
you been observin' me for a long time too
I'd never say no to you
you would never say no to me
but we never talk each other
we never try
and life goes on in such a lonely way
that's just another case of common uncommunicability
Tudo bem, você pode até acreditar que isso não é uma tragédia, mas viver assim, convenhamos, não é o que a gente espera quando queremos compartilahr a vida com alguém. 

Este pôsti é dedicado a uma amiguíssima (viva, o Word não marcou de vermelho essa palavra!) de Brasília, que está toda feliz com seu amor, sua paixão, sei lá o que seja, por alguém geograficamente distante. Espero que logo essa distância acabe, se assim tiver que ser.

É dedicado também a alguém que me deu um toque muito legal e me inspirou este pôsti. Não reclame, leitor contumaz, por mais este segredinho...

Finalmente, este pôsti é dedicado à alegria que sinto neste momento, auxiliada, evidentemente, além da música dos M.N., por gentis doses de um rosé maravilhoso (Joaquim) apresentado pelo amigo Alberto. Falando nisso, "alegria" é um dos valores da faculdade em que leciono (e é por isso que trabalho lá – tudo bem, o salário também ajuda).

Para fechar, como bônus ao leitor que, por paciência ou por amizade, chegou até aqui, segue mais uma das centenas de milhares de pérolas do disco e, de novo, fala sobre comunicação: em Judith, o cara é apaixonado por ela, mas a moça se cala. Como você, amiga apaixonada, como eu e como toda pessoa que ama e que precisa que a outra pessoa dê um sinal de vida para darmos pulos de alegria, o cara apela:

“Por favor, querida, diga alguma coisa para mim, nem que seja simplesmente ‘Aí, garoto!’”.

Eu só quero um amor, que acabe o meu sofrer
Um xodó pra mim do meu jeito assim
Que alegre o meu viver

6 comentários:

Anônimo disse...

Seus "segredinhos" tem rendido textos deliciosos. Bjs. Fer

NEIA GUIMARAES disse...

É bom sentir saudades,sinal que se esta vivo!!!saudades ,bjinhos ,carinho,néia

Ana disse...

Estou adorando esses posts misteriosos!

=)

bjs

Juliana disse...

gostei muito!!!

Tiago do Valle disse...

A música, é para dançar no chão da sala, aproveitando o barato bom da saudade, e não o barato deprê... A mensagem, é para suspirar! Bravo, uncle Môa.

Anônimo disse...

Parabéns pelo post.

- Alguém geograficamente distante.

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